Confiar em Deus diante da incerteza.
“O SENHOR lhe pague pelo bem que você fez. Que você receba uma grande recompensa do SENHOR, Deus de Israel, sob cujas asas você veio buscar refúgio – Rute 2:12
No dia 31 de outubro, nós celebramos o Dia da Reforma Protestante. E fazemos isso porque, nesta data, em 1517, o monge alemão Martim Lutero fixou 95 teses nas portas da Catedral de Wittemberg demonstrando os motivos pelos quais ele acreditava que a igreja Romana da época estava equivocada em muitas de suas práticas. E os pontos mais centrais das 95 teses estavam relacionados com a natureza do verdadeiro arrependimento, a impossibilidade de comprar o perdão dos pecados e a centralidade do Evangelho.
Estes pontos demonstram a realidade de uma salvação que não pode ser conquistada por méritos humanos ou intermediada por outros agentes (religiosos ou não), mas que depende inteiramente da graça de Deus, revelada em Jesus. Por causa disso, nesta ocasião nós recordamos a história da igreja, mas, principalmente, refletimos nestes eventos para reafirmar as verdades da Palavra que os reformadores procuraram recuperar.
Durante os últimos meses, temos meditado sobre o livro de Rute. E veja como aquilo que os reformadores defendiam também aparece de maneira muito marcante na história de Rute: nossa esperança não está naquilo que conseguimos fazer por nós mesmos, mas na graça do Deus que nos redime.
Depois de perder o marido e os filhos em Moabe, Noemi voltou amargurada a Belém, acompanhada de Rute. Para sustentá-las, sua nora recolheu espigas no campo de Boaz, onde encontrou acolhimento e generosidade. A esperança de Noemi renasceu, embora ela ainda tentasse garantir, por seus próprios planos, um futuro seguro para Rute.
A história de Rute é uma demonstração de como a graça de Deus atua em nossa vida. Afinal, antes mesmo que Noemi reconhecesse o cuidado de Deus, o SENHOR já havia preparado a companhia de Rute e a presença de Boaz em Belém. Rute não chegou àquele campo porque merecia algum favor especial. Foi acolhida, protegida e alimentada por uma generosidade que refletia o cuidado de Deus. A graça não eliminou imediatamente as perdas, mas sustentou aquelas mulheres e abriu diante delas um caminho que não poderiam construir sozinhas.
Foi justamente essa verdade que a Reforma Protestante ajudou a recuperar para a igreja. Práticas e exigências humanas haviam obscurecido a suficiência da obra de Cristo. Os reformadores voltaram às Escrituras para afirmar que somos salvos somente pela graça, mediante a fé, e não por méritos ou obras que nos tornem dignos de Deus. Não conquistamos a graça: é Deus quem salva pecadores por meio de Jesus Cristo.
Acontece que estas verdades transformam a nossa vida também! Não precisamos viver tentando provar a Deus que merecemos Seu amor, nem devemos imaginar que a segurança do nosso futuro depende da nossa capacidade de controlar todas as circunstâncias. Em Cristo, fomos recebidos pela graça e descansamos na fidelidade do Pai. Nossa esperança não depende da ausência de dificuldades, mas da certeza de que pertencemos ao Redentor, que nos acolheu e jamais deixará de cuidar de nós.
Por isso, celebrar a Reforma não é apenas recordar o passado. É reafirmar, hoje, que dependemos inteiramente da graça de Deus e que somente em Cristo encontramos a segurança e o descanso de que precisamos. Afinal, não precisamos ser os redentores da nossa própria história. Temos um Redentor!
Que Deus nos abençoe!
Rev. Thiago Mattos
Igreja Presbiteriana do Tarumã
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