Confiar em Deus diante da incerteza.
“Rute, a moabita, disse a Noemi: – Deixe-me ir ao campo para apanhar espigas atrás daquele que me permitir fazer isso.” – Rute 2:2
Imagine chegar a uma cidade sem emprego, sem dinheiro e sem saber como conseguirá colocar comida na mesa no dia seguinte. Para piorar, você não conhece ninguém que possa te ajudar e não tem qualquer garantia de que as coisas vão melhorar. No entanto, esta situação extrema não é a única forma que a incerteza pode atacar o nosso coração.
De fato, existem momentos em que as preocupações com o amanhã parecem maiores do que nossa capacidade de enfrentá-las. Uma dificuldade financeira, a insegurança no trabalho ou uma notícia inesperada pode nos deixar sem saber o que fazer. E, diante disso, corremos dois riscos: tentar controlar tudo ou simplesmente cruzar os braços. O que você faz quando a insegurança atinge a sua vida? Será que você tem a tendência de ficar esperando que Deus resolvesse a situação ou você tenta encontrar alguma saída?
Quando Noemi e Rute chegaram a Belém, estavam completamente desprovidas de recursos – elas não tinha nada nem para o sustento do dia a dia. As duas eram viúvas e, mais que isso, estavam profundamente marcadas pelo sofrimento. No entanto, enquanto ela dizia ter voltado vazia, o texto bíblico nos apresenta alguém que elas ainda não conheciam: Boaz, um parente de Elimeleque, homem de muitos bens.
É verdade que a existência de Boaz não iria resolver imediatamente a necessidade daquelas mulheres. Mas o fato deste homem de Deus estar ali sem ser percebido por elas nos faz lembrar de algo extremamente importante para aqueles que estão inseguros quanto ao presente ou futuro: aquilo que nós conseguimos enxergar não é tudo o que Deus está fazendo! A ausência de uma solução visível não significa que o Senhor tenha deixado de cuidar de nós.
No entanto, perceba o que Rute fez. Sem saber onde encontraria alimento, ela pediu licença para ir ao campo recolher espigas. Não ficou esperando que a provisão aparecesse sem que precisasse agir. Ela se levantou e trabalhou, utilizando um recurso que o próprio Deus havia estabelecido em Sua Lei para amparar pobres, viúvas e estrangeiros. E mais que isso: o texto nos mostra que Deus não colocou sobre Rute toda a responsabilidade por sua sobrevivência. A Lei do Antigo Testamento também exigia generosidade daqueles que possuíam campos.
É assim que a confiança na providência deve nos mover. Oramos, mas também procuramos trabalho; pedimos sustento, mas administramos com responsabilidade aquilo que recebemos; confiamos no Senhor, mas não deixamos de cumprir nossos deveres. A fé não nos chama à passividade! Acontece que, como igreja, nós somos desafiados a ir além. Não somos aqueles que tão-somente ficam esperando, mas somos chamados a agir. Em outras palavras, não podemos apenas incentivar quem sofre a se esforçar mais. Precisamos repartir recursos, oferecer ajuda e cuidar concretamente dos vulneráveis.
Rute chegou ao campo de Boaz sem saber o que aconteceria. Ali, por meio do trabalho e das relações comuns, o cuidado do Senhor começava a se tornar visível. E, em Cristo, temos uma segurança ainda maior: o Redentor nos reconciliou com Deus e nos garantiu uma herança que nenhuma crise poderá tirar.
Portanto, não espere conhecer todo o futuro para dar o próximo passo. Faça com fidelidade aquilo que Deus colocou diante de você e descanse na providência dAquele que continua cuidando do Seu povo.
Que Deus nos abençoe!
Rev. Thiago Mattos
Igreja Presbiteriana do Tarumã
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